Mostrando postagens com marcador Negritude. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Negritude. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O que teve: Abertura do Agosto Negro 2014

No dia 11.08.2014, teve início mais um Agosto Negro. Construído pelo Coletivo Vozes da Rua, do bairro Santa Cândida, pelo NAJUP Gabriel Pimenta, pelo MNU e pelas Candaces.

Com uma platéia plural e eclética, o auditório da faculdade Estácio de Sá ficou repleto de cultura e saber negros. E teve bom!

Teve Adenilde Petrina, historiadora e líder comunitária falando sobre o trabalho de emancipação da negritude de periferia com a Rádio Comunitária Mega e como o Agosto Negro chegou em Juiz de Fora.

Teve Tadeu, também historiador, traçando um breve mapa da violência no Brasil, e como o genocídio da população negra brasileira é um plano de mais de cem anos, sendo agora transformado em política pública de segurança.

Teve Paulo Azarias, sindicalista e militante do movimento negro falando sobre a violência contra o povo negro, que é física e identitária, cultural, e como ela vem desde a época da (falsa) abolição, a qual manteve o negro em situação de marginalidade e com seus direitos negados.

E teve muita cultura hip-hop, diretamente dos "becos e vielas, senzalas, favelas", mostrando que a periferia fala, ou melhor, GRITA as mazelas sociais que enfrenta, mas a sociedade fecha os ouvidos. Bem, ontem foi diferente!

E hoje tem mais, às 18h, na Escola Municipal Raymundo Hargrieves, no bairro Bom Jardim, Rua Luiz Fávero, n. 383, a "caravana" continua dando voz à periferia.

Uhuru!
(Liberdade em suaíle)


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

AGOSTO NEGRO 2014 CONTRA O GENOCÍDIO DA JUVENTUDE NEGRA: A PERIFERIA FALA......


Você conhece o ditado, né? Agosto, mês de cachorro louco...mas Agosto não é só isso não!
No dia 28 de agosto de l963, aconteceu em Washington, capital do Estados Unidos, uma manifestação política de grandes proporções organizada e liderada entre outros pelo Pastor Martin Luther king, ativista dos direitos humanos e pacifista. Essa marcha teve como lema "MARCHA SOBRE WASHINGTON - POR TRABALHO E  LIBERDADE" no dia 28 de agosto de 1963 e reuniu mais de 250 mil pessoas na cidade para discursar por liberdade, justiça social, trabalho e pelo fim da segregação racial.
Durante este dia manifestantes de toda a parte dos Estados Unidos, oito entre dez deles, negros chegaram a capital do país depois de marcharem pelas estradas para a manifestação programada pelas lideranças negras.
Foi nessa manifestação de massas que o Pastor Martin Luther King fez o discurso com a frase que entraria para a história: "Eu tenho um sonho", que se faz presente até em todo tipo de causas em todas as partes  do mundo.
Esse acontecimento serviu de inspiração para que movimentos de ativistas de Direitos Civis, organizassem eventos  que exigiam a libertação de presos políticos negros, panteras negras e panfletavam contra a discriminação e a segregação racial. Com o tempo esse discurso político foi sendo incorporado  pelas manifestações culturais negras e seu caráter denunciador das injustiças e desigualdades sociais.Aos poucos esse movimento foi se transformando num evento da Cultura Hip Hop na perspectiva de conscientizar o jovem negro e não negro das periferias e denunciar as desigualdades sociais.
O Brasil, como bem vem mostrando a imprensa oficial e denunciado pelas redes sociais,é uma país de maioria negra, onde predomina o racismo e onde a juventude negra vem sendo morta sistematicamente, num verdadeiro genocídio que acontece em todas as periferias.Aqui no nosso país ainda convivemos com um dos índices mais vergonhosos de desigualdade social.
Sendo assim, desde 2003, a Rádio Comunitária FM tomou a iniciativa de construir junto com as Posses de Cultura Hip Hop e movimentos sociais da cidade,  o Agosto  Negro com o objetivo de refletir e  buscar alternativas e essa situação social; trabalhamos desde então assuntos com ações afirmativas, que vem provocando polêmicas onde é discutido e mostrado o quanto nossa sociedade ainda é desinformada.
A nossa responsabilidade é grande principalmente por sabermos e termos consciência da necessidade de informar e conscientizar os jovens de nossa periferia para que se tornem cidadãos dignos, com auto-estima elevada aponto de proporem mudanças positivas para a sua comunidade.
Neste Agosto Negro de 2014, o Coletivo Vozes da Rua terá como parceiros o MNU, o NAJUP Gabriel Pimenta, as Candaces e as escolas municipais.


Quem somos?

COLETIVO VOZES DA RUA - O Coletivo Vozes da Rua é consequência direta da Rádio Comunitária Mega FM do Bairro Santa Cândida, fundada em 1997 com os objetivos de formar, informar, educar e ser ponte para a fraternidade. Foi fechada em 2006. A Rádio Mega colheu a juventude do bairro dando a ela o pertencimento que lhe faltava, usando como instrumento a Cultura Hip Hop e quando a Mega foi fechada, o movimento de  Cultura Hip Hop continuou em várias vertentes como o Encontro de EMc's, JF Crew, AJH2, grupo Harmadilha do Gueto que deu origem ao Coletivo Vozes da Rua que agrega pessoas jovens ou não de vários pontos da cidade interessados em difundir a cultura negra e levar formação e informação aos jovens da periferia. Os nossos objetivos são:
·Proporcionar o conhecimento da história do negro no Brasil
·Fortalecer e reunir manifestações da  Cultura Negra
·Fortalecer a Cultura Hip Hop como formar de agregar os jovens periféricos
·Transmissão de informação e troca de experiências
·Valorizar a criação artística e cultural
·Reunir adeptos e admiradores da Cultura Hip Hop

MNU – Fundado em 18 de junho de 1978 com a denominação  de Movimento Negro Unificado contra a discriminação racial, isto em plena ditadura militar. Lançado em ato público nas escadarias do Teatro Municipal em São Paulo, em 7 de julho de 1978. O MNU tem representantes em 14 estados brasileiros. Sua força  é grande e,   como uma organização de movimento negro,  que é indubitável e ratificada pelas conquistas ao longo dos 36 anos de existência.

NAJUP GP – Núcleo de Assessoria Jurídica Popular Gabriel Pimenta é um coletivo de estudantes e profissionais do Direito e outras áreas (como Ciências Sociais e Comunicação) da Universidade Federal de Juiz de Fora. O NAJUP GP atua na construção, em conjunto com a comunidade organizada em suas diversas formas, da luta por efetivação e conquista de direitos sociais.

CANDACES – Coletivo de mulheres negras


Em breve divulgaremos mais sobre a programação!!!


terça-feira, 13 de maio de 2014

13 de Maio: Uma data para se refletir

“A carne mais barata do mercado é a carne negra...”

          Há exatos 126 anos atrás, a Princesa Isabel assinava aquilo que se chamaria de Lei Áurea e abolição da escravatura, mas o que deveria ser a solução para a situação de subalternidade das negras e negros na sociedade brasileira foi somente mais um ato de espoliação cruel dos direitos dos agora cidadãos e cidadãs.

          Como diz Florestan Fernandes de maneira bastante acertada, a abolição é uma ironia atroz, pois em questão de minutos, “o liberto viu-se convertido, sumária e abruptamente, em senhor de si mesmo, tornando-se responsável por sua pessoa e por seus dependentes, embora não dispusesse de meios materiais e morais para realizar essa proeza nos quadros de uma economia competitiva”[1].

           Trata-se de uma abolição inacabada, não concluída, literalmente para inglês ver, que não contempla a história de luta do povo negro no Brasil e todos seus movimentos de resistência. A história contada ainda hoje enaltece a benevolência e generosidade do branco, e piedade da Princesa Isabel ao proclamar a escravidão como abolida, mas que nada diz da situação de miséria e desamparo a que o negro foi sujeitado após a assinatura da lei.

          Hoje, o Brasil é composto de aproximadamente 51% de negras e negros, no entanto a população negra ainda sofre os efeitos da exclusão. Se antes o lugar das negras e negros era na senzala e sob o estalar do chicote, hoje o lugar não é muito distinto. De acordo com o DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional), 60% da população carcerária é negra e, segundo o Datasus (Ministério da Saúde), 70% das vítimas de assassinato é negra. Por isso Elza Soares canta com tanta indignação que “a carne mais barata do mercado é a carne negra”, que é aquela “que vai de graça pro presídio e pra debaixo do plástico; que vai de graça pro subemprego e pros hospitais psiquiátricos”.

           Não dá mais! Que o 13 de Maio não seja uma data comemorativa, mas que sirva de marco reflexivo da situação atual da população negra no Brasil, reclusa às periferias e destituída da prestação dos serviços básicos do Estado, vítima diária de racismo e da seletividade do sistema prisional.

           Para que tenhamos uma verdadeira abolição da condição de subalternidade que encerra a população negra ainda há muito a se fazer, e liberdade pela qual se lutar!

           Rebelemo-nos!
           Uhuru![2]

NAJUP Gabriel Pimenta

[1]FERNANDES, Florestan. A Integração do Negro na Sociedade de Classes. Vol. 1. São Paulo: Ática, 1978, p.15.
[2]Palavra ‘LIBERDADE’ em Suaíle.